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Aids e controle de infecção cruzada na prática odontológica: percepção e atitudes dos pacientes

Terça-feira, 21.12.10

Aids and cross-infection control in the dental practice: patients’ perception and attitudes

José Augusto César DISCACCIATI
Alisson Discacciati NEVES
Isabela Almeida PORDEUS


 
DISCACCIATI, J. A. C.; NEVES, A. D.; PORDEUS, I. A. Aids e controle de infecção cruzada na prática odontológica: percepção e atitudes dos pacientes. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 13, n. 1, p. 75-82, jan./mar. 1999.

Com o objetivo de avaliar a percepção dos pacientes quanto ao risco de se contrair o vírus da imunodeficiência humana (HIV) durante o atendimento odontológico e suas atitudes em relação a continuar ou não o seu tratamento caso venham a saber que seu cirurgião-dentista (CD) atende pacientes com AIDS ou que seja HIV soropositivo, foram realizadas 518 entrevistas entre militares da Polícia Militar de Minas Gerais e seus dependentes, que haviam terminado tratamento com 233 CD diferentes. Observou-se que a grande maioria dos participantes (88,4%) acredita que o HIV possa ser transmitido durante o tratamento odontológico e que muitos entrevistados não continuariam o tratamento se seu CD atendesse pacientes com AIDS (42,9%) ou fosse HIV soropositivo (45%). Aqueles entrevistados que haviam sido atendidos por profissionais que utilizavam os artigos do equipamento para proteção individual (EPI) de forma adequada se mostraram mais dispostos a continuar o tratamento caso viessem a saber que seu CD atende pacientes com AIDS. No entanto, o uso adequado do EPI não é um fator encorajador para que os pacientes continuem tratando-se com seu CD caso venham a saber que ele é HIV soropositivo. Estes achados sugerem que maiores informações devem ser repassadas para o público leigo, informando-o sobre os verdadeiros riscos de se infectar pelo HIV e suas formas de prevenção na Odontologia.

UNITERMOS: Odontologia; Infecções por HIV.


INTRODUÇÃO

A AIDS é uma doença que vem preocupando não só aquelas pessoas diretamente afetadas por ela, mas todas as camadas da sociedade. Desde o aparecimento dos primeiros casos, iniciou-se um discurso no qual se exprimia o sentimento de uma ameaça extrema, de um risco global. A doença era encarada como uma epidemia capaz de dizimar populações cada vez maiores14.

Juntamente com a disseminação da epidemia, nascia o "fenômeno social da AIDS", que remete à maneira pela qual a mídia identificou e classificou os acontecimentos referentes à doença. Frente à inicial falta de informações concretas sobre seus aspectos básicos, a mídia se referia à doença através de conotações extremamente negativas: um mistério médico, câncer misterioso nos homossexuais americanos, a pneumonia dos homossexuais, câncer gay, síndrome gay, e isso pode explicar, em parte, a construção desse fenômeno social. Outro fator que contribuiu para o desencadeamento do discurso sobre a AIDS foi que, entre as pessoas inicialmente atingidas, se encontrava grande número de intelectuais, artistas e membros de grupos sociais próximos da mídia, o que por vezes trazia uma repercussão muito grande14.

O crescente número de indivíduos HIV infectados em todo o mundo também promoveu uma série de mudanças na prática odontológica. Órgãos internacionais reconhecidos mundialmente, como a American Dental Association (ADA), já vinham recomendando medidas para controle de infecção cruzada nos atendimentos odontológicos2. Porém, foi a emergência da AIDS, no início da década de 80, que alertou as comunidades de saúde para o real perigo da transmissão ocupacional de doenças infecciosas, iniciando-se um forte movimento para a adoção de um programa para controle de infecção cruzada nos serviços de saúde, visando reduzir os riscos tanto para profissionais quanto para pacientes17,21.

Ao longo dos anos, estudos vêm relatando maior adequação, por parte dos profissionais, em relação ao uso do equipamento para proteção individual (EPI). As taxas de utilização de luvas variaram de 23%23 até 98,9%16. No Brasil, os trabalhos trazem diferentes prevalências, dependendo da época em que foram observadas: 4,8%5, 69,2%1, 76,8%9, 78,9%3.

Observa-se claramente, através dos estudos, maior adequação por parte dos profissionais para o emprego dos artigos do EPI, com uma tendência a considerar todos os pacientes como potencialmente infectados. Essa adequação se reflete também na disposição dos cirurgiões-dentistas (CD) para atender indivíduos HIV soropositivos. Desde os primeiros estudos sobre o assunto, observa-se um aumento gradual no índice de disposição4,8,9,10.

Por outro lado, a AIDS trouxe também uma grande preocupação para o paciente que freqüenta o consultório odontológico, principalmente após a ampla divulgação na mídia do caso Flórida, em que um CD infectado transmitiu o HIV para cinco de seus pacientes6. Vários estudos passaram, então, a avaliar a percepção dos pacientes em relação aos riscos que a epidemia do HIV/AIDS representa na prática odontológica e suas atitudes frente a profissionais que atendem pacientes com AIDS ou que estejam infectados pelo HIV. No Brasil, poucos são os trabalhos que abordam esse assunto3.

GERBERT et al.12 (1989) observaram que 30% dos americanos contactados por telefone concordavam que existe possibilidade de se contrair uma infecção pelo HIV durante um tratamento odontológico. Dentre os pacientes que acreditavam que seu CD tratava pacientes com AIDS, 56% afirmaram que continuariam tratando com ele. No entanto, a reação foi mais negativa quando perguntados se continuariam seu tratamento com um CD se soubessem que era portador de infecção pelo HIV: 65% afirmaram que abandonariam o tratamento e apenas 23% continuariam tratando. Os resultados do estudo indicaram uma ampla aceitação por parte dos pacientes em relação às medidas de controle de infecção adotadas.

As perspectivas de CD, pacientes e indivíduos infectados pelo HIV em relação à prática odontológica na era da AIDS foram avaliadas através de um levantamento feito por telefone com 1.207 pessoas, sendo que um quarto dos pacientes acreditava na possibilidade de transmissão do HIV durante um atendimento odontológico e apenas 6% não acreditavam ser possível tal transmissão11.

Um levantamento foi realizado por meio de um questionário aplicado a 301 pacientes em Glasgow, Escócia. SAMARANAYAKE; McDONALD20 (1990) concluíram que dois em cada três entrevistados acreditavam ser improvável a transmissão da AIDS na prática odontológica. A metade dos pacientes, porém, não estava disposta a visitar um CD se ele tratasse pacientes com AIDS.

GRACE et al.13 (1994) entrevistaram 739 indivíduos em Maryland, por telefone, com o propósito de avaliar o conhecimento e a percepção deles sobre a possibilidade de transmissão do HIV durante um tratamento odontológico. Indivíduos que demonstraram maior conhecimento expressaram menor preocupação. Entre os respondentes, 24,6% achavam que havia possibilidade de se infectar caso tratassem com um CD HIV soropositivo, 56,8% achavam improvável, 8,4% achavam que tal possibilidade era definitivamente impossível de acontecer e 10,3% não tinham certeza. Muitos respondentes relataram que deixariam o tratamento caso descobrissem que seu CD atendia outros pacientes com AIDS ou estivesse infectado pelo HIV.

BASTOS et al.3 (1997), em estudo realizado no Rio de Janeiro, encontraram que 74,8% dos entrevistados na capital, e 88,5%, na região metropolitana, acreditavam na possível transmissão do HIV durante um atendimento odontológico.

O propósito do presente estudo foi avaliar a percepção do paciente quanto ao risco de se infectar pelo HIV durante um atendimento odontológico, verificando suas atitudes frente a um profissional que presta assistência a pacientes com AIDS ou que seja HIV soropositivo, e relacionar essas atitudes com a adoção dos artigos do EPI por parte do CD.

 
MATERIAL E MÉTODO


O presente estudo foi conduzido no setor de perícias do Centro Odontológico da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Entrevistas individuais foram realizadas com 518 pacientes, militares ou dependentes, que lá compareceram para se submeter à perícia final obrigatória, após tratamentos realizados por CD pertencentes à rede conveniada com o Sistema de Saúde da PMMG. A coleta de dados foi realizada por um único entrevistador, durante os meses de agosto e setembro de 1996. A fim de se avaliar a aplicabilidade do formulário de entrevista, foi feito um teste piloto com vinte participantes, no mês de julho daquele mesmo ano.

Os pacientes foram questionados sobre a freqüência de uso de cada artigo do EPI pelo seu CD, tendo quatro opções de resposta: sempre usava, às vezes usava, nunca usava e não estou bem certo. Quando o paciente relatava que seu CD sempre usava determinado artigo, seu tratamento somava um ponto. As demais respostas não foram pontuadas. Assim, em relação ao uso do EPI, uma nota de zero a cinco foi dada a cada um dos 518 tratamentos concluídos, de acordo com as informações prestadas pelos pacientes. Além disso, foi pedido ao participante que classificasse o tratamento que acabara de receber, considerando as condições de higiene com que foi conduzido. As opções foram: ótimo, muito bom, bom, regular e péssimo.

Para se avaliar a percepção e as atitudes dos pacientes em relação aos riscos de se infectar pelo HIV durante um procedimento odontológico, foram introduzidas três questões. A primeira perguntava se o paciente acreditava que o HIV poderia ser transmitido durante um tratamento odontológico, uma outra questionava se o paciente continuaria seu tratamento com o mesmo CD se soubesse que ele atendia pacientes com AIDS e a última indagava se o paciente continuaria o tratamento se soubesse que o seu CD estava infectado pelo HIV.

Para se proceder às comparações envolvendo a idade dos pacientes, eles foram divididos em três grupos, de acordo com os quartis observados.

Os dados foram introduzidos no programa Epi Info, versão 67. Para se fazer a análise estatística, utilizaram-se medidas de tendência central para uma amostra como: média aritmética, valores mínimo e máximo e quartis24. Para a análise comparativa, foi utilizado o teste do qui-quadrado, por se tratar de variáveis nominais ou categóricas18. O coeficiente de correlação de Spearman foi aplicado para medir a associação entre duas variáveis ordenadas22. O nível de significância considerado foi de 5%, em distribuição bicaudal.


RESULTADOS


De um total de 518 pacientes entrevistados, 258 eram homens (49,8%) e 260 mulheres (50,2%). A idade dos pacientes variou entre 14 e 64 anos, com uma média de 32,6. As taxas de utilização de cada artigo do EPI são apresentadas na Tabela 1. Observa-se que a máscara facial é o artigo mais utilizado, seguido de luvas. Importante ressaltar que a grande maioria dos CD sempre utilizam luvas, no entanto, quase 10% dos CD avaliados nunca as utilizam, segundo informações dos pacientes.

 
TABELA 1 - Número de tratamentos, segundo forma de utilização de cada artigo do EPI pelo CD, baseando-se em informações prestadas pelos pacientes
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* Valores entre parênteses referem-se a percentuais.

 

Com base nessas informações, cada tratamento odontológico recebeu uma pontuação que foi correlacionada com a classificação dada pelos pacientes ao tratamento a que se submeteram, considerando as condições de higiene. Houve uma grande correlação entre essa classificação e a utilização do EPI por parte do CD, o que pode ser comprovado através do coeficiente de Spearman (r = 0,24; p = 0,01). Tratamentos em que o CD utilizou-se do EPI de forma adequada receberam melhor classificação por parte do paciente (Tabela 2).

TABELA 2 - Correlação entre a pontuação dada ao tratamento, em função da utilização dos artigos do EPI por parte do CD e a classificação dada pelos pacientes ao tratamento a que se submeteram, considerando-se as condições de higiene
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Coeficiente de correlação de Spearman: r = 0,24; p = 0,01.

 

 

 

A grande maioria dos entrevistados acredita na possibilidade de transmissão do HIV durante o tratamento odontológico. Mesmo assim, mais da metade deles se mostrou disposta a continuar tratando com um CD que atende pacientes com AIDS ou que seja HIV soropositivo. No entanto, muitos pacientes não continuariam seu tratamento, mesmo acreditando que tal possibilidade não exista (Tabela 3).

 

 

 

TABELA 3 - Disposição em continuar o tratamento caso o CD atenda pacientes com AIDS ou seja HIV soropositivo, segundo crença sobre a possibilidade de transmissão do HIV durante um atendimento odontológico

 

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Em relação à idade, não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos (14 a 24, 25 a 39 ou 40 a 64 anos) quando questionados sobre a possibilidade de contágio pelo HIV durante um tratamento odontológico (c2 = 0,19, p = 1,0), se continuariam o tratamento com o mesmo CD caso ele atendesse pacientes com AIDS (c2 = 5,64, p = 0,23) ou caso ele fosse HIV soropositivo (c2 = 5,05, p = 0,28). Da mesma forma, não houve diferença estatisticamente significante entre homens e mulheres com relação a essas questões (c2 = 0,25, p = 0,88; c2 = 2,10, p = 0,35; c2 = 0,00, p = 1,0, respectivamente).

 

Para verificar possíveis associações entre atitudes dos pacientes, uso do EPI por parte dos CD e a classificação dada ao atendimento, foi feito um agrupamento entre participantes cujos tratamentos receberam nota zero e um e entre aqueles que classificaram o tratamento como péssimo e regular. Isso se deu devido ao pequeno número de participantes em cada uma dessas categorias. Aqueles que se mostraram indecisos ou não souberam responder às questões sobre risco não foram considerados nessa comparação. A tempo, os mesmos representaram, na média das três perguntas, apenas 4,6% da amostra.

 

Uma forte associação estatística (p = 0,0001) foi observada em relação à utilização do EPI e a disposição dos entrevistados em continuar tratando com um CD que atende pacientes com AIDS. A maioria dos participantes cujos CD faziam uso adequado do EPI (nota cinco), continuariam a tratar com eles (65,1% = 95/146). Em contrapartida, apenas 28,2% (11/39) dos participantes cujos CD receberam nota zero ou um continuariam o tratamento, enquanto 71,8% (28/39) não continuariam o tratamento com um CD que atenda pacientes com AIDS (Tabela 4).

 

 

 

TABELA 4 - Atitudes dos pacientes, segundo pontuação dada aos seus tratamentos, em função do uso do EPI por parte de seus CD

 

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A mesma associação foi observada (p = 0,0007) quando relacionada à classificação das condições de higiene dada ao tratamento pelo paciente. Mais da metade dos entrevistados (58,6% = 239/408) que classificaram o tratamento como ótimo continuariam tratando com o seu CD se soubessem que tratava pacientes com AIDS. Em contrapartida, nenhum dos participantes que classificou o atendimento como péssimo ou regular continuaria seu tratamento com o mesmo CD (Tabela 5).

 

 

 

TABELA 5 - Atitudes dos pacientes, segundo classificação dada aos tratamentos recebidos, em relação às condições de higiene

 

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Quando perguntados se continuariam a tratar com o seu CD se viessem a saber que ele estava infectado pelo HIV, as respostas não se mostraram associadas à utilização do EPI ou à classificação dada pelo paciente ao tratamento (p = 0,10 e p = 0,70, respectivamente) (Tabelas 4 e 5).

 

 



DISCUSSÃO

Em relação à AIDS, os profissionais da Odontologia têm muito a melhorar em suas atitudes, mesmo que grandes progressos tenham sido alcançados nos últimos anos. Com o aumento do número de pessoas infectadas, mais e mais CD estão considerando que indivíduos HIV soropositivos poderão estar entre seus pacientes, o que trouxe algumas mudanças de comportamento11.

 

As taxas de utilização dos artigos do EPI pelos CD avaliados nesse estudo se mostraram similares aos resultados apresentados na literatura internacional15,16,19,25, e seguem uma tendência dos últimos trabalhos nacionais3,9, apesar de ter sido adotada uma metodologia diferente de outras pesquisas, uma vez que as informações foram repassadas pelos próprios pacientes. Observou-se que a maioria absoluta dos usuários soube relatar sobre a utilização do EPI, e esta demonstrou uma forte correlação com a classificação, em termos de higiene, conferida pelo paciente ao tratamento recebido, indicando a atenção e importância que o usuário tem dado a esse aspecto. Os resultados demonstram que, à medida que o CD utilizou mais o EPI durante o tratamento, seu atendimento recebeu melhor classificação em relação às condições de higiene.

 

Já sobre as atitudes dos pacientes em relação à AIDS, não se pode esperar uma mudança rápida, muito em função do que a epidemia representa para a sociedade. Desde o aparecimento dos primeiros casos, a população vem recebendo informações desencontradas por parte da mídia, o que acaba por influenciar negativamente em suas atitudes. O "fenômeno social da AIDS" é uma face da doença que também deve ser combatida, principalmente pelos profissionais de saúde. Os CD podem contribuir praticando um controle de infecção apropriado e tranqüilizando seus pacientes no sentido de que sintam o consultório como um local seguro. O público precisa perceber que, adotando as medidas de precaução universal (MPU), o CD pode atender normalmente pessoas infectadas pelo HIV, sem risco de ocorrer infecção cruzada de paciente para paciente.

 

Frente ao grande número de pessoas infectadas assintomáticas ou que não revelam seu estado de soropositividade, é muito mais seguro ser atendido por um profissional que faça um controle de infecção adequado, mesmo que ele atenda pacientes infectados, do que ser atendido por outro que relata não atender tais pacientes mas que não faça tal controle.

 

Observou-se que a grande maioria (88,4%) dos entrevistados acredita que o HIV possa ser transmitido durante um atendimento odontológico. Este número é bem maior que os encontrados em outros trabalhos11,12,13,20, e semelhantes aos encontrados por BASTOS et al.3 (1997). Apenas 53,3% (276/518) dos entrevistados continuariam a tratar com seu CD se soubessem que ele atende pacientes com AIDS, resultado bastante similar ao de outros estudos12,20 e apenas 48,5% continuariam a tratar com o mesmo CD se descobrissem que ele era portador do HIV, resultado acima do encontrado por GERBERT et al.11 (1989).

 

Respostas incoerentes foram observadas entre os 42 participantes que relataram não acreditar que o HIV possa ser transmitido durante um atendimento odontológico. Desses, 45,2% não continuariam o tratamento se soubessem que o seu CD estava atendendo pacientes com AIDS e 35,7% não continuariam se viessem a saber que o CD era portador do HIV. Isso evidencia o preconceito e o medo que vêm acompanhando a epidemia desde seu início.

 

Baseando-se nos diversos trabalhos que apontam o medo de perder pacientes regulares como um dos principais motivos para o não atendimento de indivíduos com AIDS, SAMARANAYAKE; McDONALD20 (1990) consideram que tais preocupações, por parte dos CD, ainda são justificáveis, visto que quase metade dos pacientes não se mostram dispostos a visitar um profissional se este tratar indivíduos infectados. Isso foi também evidenciado nesse estudo, uma vez que 53,3% dos usuários não se mostraram dispostos.

 

É importante ressaltar a relação direta entre disposição em continuar sendo atendido por seu CD caso ele atenda pacientes com AIDS e a classificação dada pelos pacientes às condições de higiene com que seu tratamento foi conduzido. A maioria dos pacientes cujos CD utilizaram os artigos do EPI de forma adequada continuaria seu tratamento mesmo sabendo que o profissional atende pacientes com AIDS. No entanto, a maioria daqueles pacientes cujos CD não utilizam os artigos do EPI de forma adequada não continuaria o seu tratamento se soubessem que o profissional atende pacientes com AIDS. Da mesma forma, a maioria dos pacientes que classificou o atendimento como ótimo, em relação às condições de higiene, continuaria o tratamento se soubesse que o CD atende pacientes com AIDS. Entretanto, todos os pacientes que classificaram o atendimento como regular ou péssimo não continuariam o tratamento. Isso evidencia que o consentimento do paciente em continuar tratando com um CD que atende pacientes com AIDS está muito relacionado ao emprego do EPI por parte do profissional e à satisfação com as condições de higiene com que seu tratamento foi conduzido.

 

A importância dada pelos pacientes ao uso de barreiras de proteção é encorajadora com uma aparente aceitação pública do papel do CD em educar pacientes sobre AIDS. Os pacientes ainda se mostram preocupados em contrair o HIV no consultório odontológico e necessitam de maiores informações sobre formas de transmissão e controle da doença. GERBERT et al.12 (1989) encontraram um achado positivo que foi o fato de muitos pacientes estarem dispostos a conversar com seus CD sobre AIDS. Isso sugere um importante papel para a profissão em educar e aconselhar o público leigo. Portanto, mostrar e ensinar aos pacientes as corretas formas de se prevenir infecção cruzada parece ser uma boa forma de modificar o conceito de que CD que atendem indivíduos com AIDS perdem outros pacientes.

 

Já o consentimento dos pacientes em continuar tratando com um CD HIV soropositivo não demonstrou estar associado ao uso do EPI ou às condições de higiene e demonstrou ser também um problema com alguma extensão.

 

Os achados desse e de outros estudos3,11,12, sugerem que o CD tem um importante papel na desmistificação de alguns aspectos dessa nova epidemia. De forma tranqüila e racional, o CD deve conversar e educar seus pacientes sobre formas de prevenção e controle da infecção pelo HIV em consultórios odontológicos, o que vai dar uma importante contribuição para combater a epidemia de medo que tem acompanhado a AIDS, além de evidenciar, cada vez mais, a importância na adoção de barreiras de proteção, pois os pacientes têm observado e aprovado essa conduta.

 

Esse estudo expressa a opinião de uma pequena amostra de usuários de um sistema de saúde e talvez seus resultados não devam ser interpretados para a população como um todo. Outros estudos devem ser conduzidos, em outras populações, para realmente se determinar a extensão do problema.

 

 



CONCLUSÕES

Os artigos do EPI estão cada vez mais sendo utilizados pelos CD e o seu uso se mostrou intimamente associado à classificação dada pelos pacientes às condições de higiene com que seus tratamentos foram conduzidos.

 

A grande maioria dos pacientes acredita que o HIV possa ser transmitido durante o atendimento odontológico, evidenciando-se atitudes negativas em relação a profissionais que atendem pacientes com AIDS e também a profissionais HIV soropositivos.

 

O uso adequado do EPI encoraja os pacientes a continuar o tratamento mesmo sabendo que seu CD atende pacientes com AIDS, porém não influencia na disposição do paciente em continuar tratando com um CD HIV soropositivo, demonstrando um grande preconceito em relação a tais profissionais.

 

Os resultados confirmam que o CD deve educar seus pacientes em relação às medidas de controle de infecção adotadas em sua prática, trazendo maior tranqüilidade e segurança ao paciente.

 

 

 

 

 

DISCACCIATI, J. A. C.; NEVES, A. D.; PORDEUS, I. A. Aids and cross-infection control in the dental practice: patients’ perception and attitudes. Rev Odontol Univ São Paulo, v. 13, n. 1, p. 75-82, jan./mar. 1999.

 

With the objective of assessing patients’ perception of acquiring HIV virus in the dental practice and evaluating their attitudes towards continuing the treatment with dentists who treat HIV individuals or who are HIV positive themselves, 518 interviews were carried out with members of the Military Police of Minas Gerais and their dependents who had recently completed their treatment with 233 different practitioners. It was observed that the vast majority of the participants (88.4%) believed that HIV virus could be transmitted during dental procedures. Several interviewees reported that they would not return to their dentists if s/he was caring for HIV patients (42.9%) nor if s/he was HIV positive her/himself (45.0%). Those participants treated by dentists who adopted adequate barrier techniques were more likely to continue their treatment if the professional was treating HIV patients. However, there was not a direct association between the adoption of barrier techniques and the acceptance of being treated by an HIV positive dentist. The present findings suggest that more information should be transmitted to the public about the risk of HIV infection and its prevention in the dental setting.

 

UNITERMS: Dentistry; HIV-infection; Cross-infection control.

 

 



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALVAREZ LEITE, M. E. Caracterização da conduta dos cirurgiões-dentistas de Belo Horizonte frente aos procedimentos de controle de infecção cruzada: uma perspectiva epidemiológica. Belo Horizonte : Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais. 1996. 260 p. Dissertação (Mestrado em Microbiologia).       

 

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Como funciona o tratamento dentário para portadores de HIV e diabetes?

Terça-feira, 21.12.10

A Bioproteção é uma preocuapção cada vez mais constante por parte dos que trabalham com tratamentos dentários.

Portadores de HIV

A maioria dos pacientes portadores de HIV é totalmente assintomática. Esse é um dos motivos para se ter em mente que as medidas de bioproteção (proteção do paciente e profissionais de saúde contra infecções) devem ter um aspecto universal único para todos os pacientes. Durante algum tempo, a preocupação de infectar-se por um paciente soropositivo foi uma barreira psicológica limitante aos pacientes com o HIV ao tratamento odontológico. O paciente HIV positivo assintomático deve ser acompanhado clinicamente de modo preventivo e deve ser informado sobre as várias infecções oportunistas as quais está exposto. A observação do dentista é importante, pois cerca de 70% dos pacientes soropositivos desenvolvem alterações bucais devido à síndrome. Essas manifestações incluem doença periodontal, infecções bucais virais, fúngicas e bacterianas, lesões de tecidos moles - incluindo tumores. O dentista vai avaliar o estado de imunodepressão do paciente. Também vai relacionar os possíveis efeitos colaterais que podem ocorrer nos medicamentos usados pelo paciente. Um estudo objetivo do estado imunológico do paciente é dado pela contagem do CD4. A maioria dos pacientes está ciente da contagem mais recente. A contagem de CD4 acima de 500 nos informa uma resposta imunológica razoável. Abaixo de 200 indica um grave comprometimento imunológico. Desse modo, o dentista vai guiar o tratamento sob duas considerações principais: O nível de imunodepressão e os dados do hemograma. Muitos desses pacientes vão tolerar o tratamento de rotina sem problemas. No entanto, mesmo os pacientes assintomáticos podem facilitar a instalação de infecções após a manipulação bucal. Tanto a doença quanto a medicação utilizada (AZT e outras) podem causar leucopenia e granulocitopenia. Por isso, a profilaxia antibiótica pode ser necessária em procedimentos com risco de infecção ao paciente. De um modo geral, os pacientes HIV positivos podem e devem frequentar o consultório dentário para prevenção, para os tratamentos básicos (exodontias, tratamento de canal, restaurações, ortodontia, periodontia etc) assim como para os demais tratamentos funcionais e estéticos (implantes, troca de restaurações, clareamento) desde que sejam respeitados os limites.

Diabetes

A diabetes afeta 79 em cada 1000 pessoas na idade acima dos 65 anos. Dessa forma, entre 3% e 4% dos pacientes adultos que se submetem a tratamento odontológico possuem diabete. Na rotina do dentista existem mecanismos para se tentar identificar os possíveis pacientes diabéticos - mesmo que esses não saibam da doença. Isso mostra a importância dessa desordem metabólica na saúde bucal. Os pacientes que sabem serem diabéticos serão pesquisados sobre o tipo da doença (juvenil ou adulto), a medicação que está utilizando e a presença de complicações (neurológicas, vasculares, renais ou infecciosas). O médico poderá ser consultado para esclarecimento do estado clínico. Desse modo, o paciente será anotado em um grupo de risco de acordo com as seguintes normas.

Pacientes de baixo risco

Esses têm um bom controle metabólico, não possuem complicações neurológicas vasculares ou infecciosas. Os níveis de glicose devem estar abaixo de 200mg/dl.


Pacientes de risco moderado

Encontram-se em um balanço metabólico razoável não possuindo história de hipoglicemia recente. Os níveis de glicose devem estar abaixo de 250mg/dl.

Pacientes de alto risco

Apresentam múltiplas complicações e história de hipoglicemia ou cetoacidose. Os níveis de glicose podem estar acima de 250mg/dl.

As principais preocupações do dentista durante o tratamento dentário consistem em:
- diminuição do estresse do paciente
- redução de risco de infecção
- controle da dieta

Os pacientes de baixo risco podem ser tratados sob esquema normal para quase todos os procedimentos odontológicos. Os pacientes de risco moderado deverão receber orientações sobre o controle da dieta. O dentista deverá ser cuidadoso no controle do estresse e no controle do risco de infecções. Os pacientes de alto risco podem ser submetidos a exames bucais após as medidas para a redução do estresse. Qualquer tipo de procedimento deve ser adiado até que suas condições médicas estejam estabilizadas. Uma exceção deve ser considerada quando um paciente cujo controle diabético está comprometido por uma infecção dentária ativa.

Por:Marcello Paschoal Antunes
Fonte: conteudosaude

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SIDA e o Dentista

Terça-feira, 21.12.10

Existe risco de o paciente se infectar com o vírus da AIDS durante o tratamento odontológico?
Não, desde que os instrumentais que tenham sido utilizados em pacientes com AIDS tenham sido esterilizados corretamente.

Esse tipo de esterilização é um processo complicado?
Não, pois as estufas de calor seco, que todos nós possuímos, são capazes de promover facilmente a destruição do vírus HIV.

0 vírus HIV é mais difícil de ser destruído que microorganismos causadores de outras doenças?
Não. Felizmente ele é facilmente inativado. O treponema pallidum, causador da sífilis, e o HBV, causador da hepatite B, são bem mais resistentes.

Quais os cuidados que o cirurgião-dentista deve tomar para evitar o contágio?
Além da esterilização dos instrumentos, usar e eliminar, após cada paciente, o máximo possível de materiais descartáveis, como agulha, tubetes anestésicos, luvas, pontas de sugador de saliva etc.

E as brocas, como devem ser esterilizadas?
Elas devem ser lavadas e desinfectadas em soluções químicas de glutaraldeído ou, preferencialmente, esterilizadas em estufa de calor seco.

0 dentista deve usar um par de luvas novas a cada paciente?
Sim, pois a luva é considerada um material descartável e, portanto, deve ser eliminada após cada atendimento.

Através do exame bucal, o dentista pode suspeitar que o paciente tem AIDS?
Sim, pois existem várias doenças na boca que ocorrem preferencialmente em pacientes HIV positivos.

0 dentista pode recusar a atender um paciente soropositivo para HIV?
Legalmente, o dentista pode recusar-se a atender qualquer paciente. Porém, eticamente, ele tem a obrigação de atender o paciente com AIDS em situações emergenciais e de encaminhá-lo a um profissional capacitado, caso julgue necessário.

0 paciente HIV positivo deve informar ao dentista a sua condição?
Sim, pois sendo este um paciente imunodeprimido, alguns cuidados especiais devem ser
tomados com esse paciente, como por exemplo cobertura antibiótica após exodontias.

0 dentista pode solicitar o exame anti-HIV?
Sim, desde que o paciente concorde e tenha o conhecimento dessa solicitação.

Quem corre mais riscos de contaminação no consultório dentário: o dentista ou o paciente?

Embora o risco de contaminação seja mínimo, o dentista, por estar em contato com os fluidos que podem conter vírus, como o sangue e a saliva, está mais sujeito à contaminação.

Fonte: APCD

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Os problemas na boca são comuns em pessoas com SIDA

Segunda-feira, 20.12.10

Problemas bucais são bastante comuns em portadores do vírus HIV. Mais de 1/3 das pessoas com AIDS tem condições bucais que aparecem em decorrência do sistema imunológico enfraquecido. Embora a combinação de terapia antiretroviral tenha tornado problemas bucais menos comuns, alguns tipos de problemas na boca ocorrem mais com esse tipo de tratamento.

Problemas na boca pode ser dolorosos e ocasionar outros problemas

Pessoas com AIDS podem ser informadas que os problemas bucais são menores comparados com outras coisas que terão que lidar. Porém, eles causam embaraço e desconforto que afetam as pessoas. Problemas na boca também ocasionam dificuldades na alimentação. Se a dor ou sensibilidade na boca tornar difícil mastigar e engolir, ou fizer o gosto da comida ficar ruim, a pessoa pode não se alimentar bem. Isso é ainda pior ao considerar que o médico pode aconselhar o paciente a comer mais do que o normal para ter mais energia para lidar com o vírus HIV.

Os problemas na boca em pessoas com AIDS podem ser tratados

Os problemas bucais mais comuns relacionados à AIDS podem ser tratados. Então, converse com seu médico ou dentista sobre qual tratamento seria apropriado. Lembre-se que com o tratamento adequado sua boca pode melhorar. E é importante para pessoas portadores com o HIV não somente viver mais, mas também viver melhor.

Quais são os problemas na boca mais comuns em pessoas com AIDS

Os problemas bucais mais comuns em pessoas com AIDS incluem:
* Úlceras aftosas.
* Herpes.
* Leucoplaquia (manchas brancas causadas pelo vírus Epstein-Barr).
* Candidíase.
* Verrugas.

Boca seca em pessoas com AIDS

A boca seca ocorre quando a pessoa não tem saliva suficiente para manter a boca molhada. A saliva ajuda a pessoa a engolir e digerir alimentos, protege os dentes da degeneração, e previne infecções ao controlar os fungos e bactérias na boca. Sem saliva suficiente a pessoa pode sofrer degeneração dos dentes, infecções, e ter problemas para mastigar e engolir. A boca também pode parecer pegajosa, seca, e com sensação de queimação. Também podem ocorrer lábios rachados.

Para ajudar com a boca seca, pode-se tentar:
* Beber freqüentemente água e bebidas sem açúcar.
* Mastigar chiclete sem açúcar.
* Evitar álcool e tabaco.
* Evitar alimentos salgados.
* Usa um umidificador à noite.

Converse com seu médico ou dentista sobre a prescrição de saliva artificial, a qual pode ajudar a manter a boca molhada.

 

Fonte:copacabanarunners

"Para ter uma boa saúde geral, visite seu Médico Dentista regularmente"

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