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A Odontologia e os Pacientes HIV/AIDS

Sábado, 01.01.11

 

A Odontologia e os Pacientes HIV/AIDS

 

 A epidemia da Aids completou três décadas, e junto com ela, ocorreram muitas conquistas e muitas perdas, e , ainda, respostas à epidemia que mexeram com aspectos sociais, culturais, crenças religiosas e verdades científicas.

 

A luta contra a Aids está longe do fim. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 40 milhões de pessoas estejam contaminadas pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) no mundo e que 16 mil novas infecções ocorrem a cada dia, sendo a quarta causa de morte no mundo. Tal mortalidade vem caindo significativamente em função das terapias antirretrovirais existentes atualmente e da adesão a essas terapias.

 

O Cirurgião Dentista tem um papel relevante frente a essa epidemia, pois 90% dos pacientes infectados pelo HIV, apresentam, a qualquer momento durante o curso da infecção, manifestações bucais, podendo ser ele ainda o primeiro a detectar e diagnosticar lesões indicadoras da Aids. Para tanto, deve o Cirurgião Dentista estar treinado e capacitado sobre as intercorrências dessas patologias, sabendo diagnosticá-las e tratá-las a contento.

 

Desde o início dos anos 80, a epidemia de Aids vem sofrendo mudanças importantes que nos permite dividi-las em quatro momentos distintos. O primeiro, caracterizado pela infecção majoritária de homossexuais ou bissexuais masculinos (HSH). O segundo, marcado pelo incremento significativo da categoria usuário de droga injetável (UDI), juvenilização e heterossexualização da epidemia (HET). No terceiro momento, um avanço acentuado de transmissão heterossexual, e o crescimento   nos casos de mulheres soropositivas, e em conseqüência a ocorrência da transmissão vertical, aumentando o número de crianças nascidas portadoras do vírus HIV. No quarto, e atual momento da epidemia, assiste-se um avanço da Aids nas pessoas da terceira idade, deste modo acima dos 60 anos de vida.

 

 No começo da epidemia, os pacientes muitas vezes não viviam mais do que dois anos após desenvolver a doença. Atualmente ao estudar o modo como o vírus ataca as células imunológicas, os cientistas desenvolveram drogas que evitam a multiplicação do vírus HIV. Usadas em combinações conhecidas como “coquetel”, essas drogas ajudam os pacientes a viverem por um período maior de tempo e com melhor qualidade de vida, mas passíveis de múltiplas manifestações adversas relacionadas às medicações, principalmente os inibidores de proteases, dentre ela a Síndrome Lipodistrófica, que é caracterizada pelas alterações metabólicas: a dislipidemia, a resistência insulínica, a hiperglicemia, a redistribuição da gordura corporal, sendo esses fatores determinantes para as doenças cardiovasculares.

 

A s manifestações bucais da infecção pelo HIV são freqüentes e podem representar os primeiros sinais clínicos da doença. Podem ser indicadoras de comprometimento imunológico, minimizando o tempo de evolução da doença   até   a   fase de Aids. Desde o início da Aids, muitas manifestações bucais foram relacionadas à infecção pelo HIV. Diversos autores relatam que os estudos dessas manifestações bucais são fundamentais para auxiliar o entendimento da epidemiologia da Aids.

 

D iversas pesquisas, desde o início da síndrome da imunodeficiência adquirida até os dias atuais, comprovam a prevalência de manifestações orais em pacientes soropositivos para o HIV, apresentando como as mais freqüentes: candidíase pseudomembranosa, candidíase eritematosa, queilite angular, leucoplasia pilosa oral, gengivite, periodontite, , aftas, herpes,   sarcoma de Kaposi e linfoma não Hodgkin.

 

A candidíase é a manifestação bucal oportunista mais freqüente entre os pacientes soropositivos para o HIV. Freqüentemente aparece, como o primeiro sinal da infecção e reflete o declínio do sistema imunológico e o agravamento da doença. A candidíase bucal é a designação genérica atribuída à infecção da mucosa bucal causada por fungos do gênero Candida. Como em outros hospedeiros imunodeprimidos, as manifestações clínicas variam entre o aspecto pseudomembranoso, eritematoso, leucoplásico e queilite angular.

 

A leucoplasia pilosa oral, foi descrita como uma lesão branca, identificada principalmente em bordas laterais de língua, podendo ser uni ou bilateral, de limites imprecisos, de superfície plana, corrugada ou pilosa, não removível quando raspada, podendo variar em tamanho de milímetros a centímetros, causada pelo vírus Epstein Barr.

 

  Outros vírus além do Epstein Barr, como o citomegalovírus (CMV), o vírus do herpes simples tipo I, e o vírus simples tipo II, e o vírus Varicella Zósters, podem causar lesões na mucosa bucal desses pacientes. O herpes simples e o herpes zóster, apesar de serem relativamente mais comuns, levam, no paciente imunodeprimido pelo HIV, a um quadro clínico mais severo que o usual, com lesões extensas e prolongadas.

 

Os problemas periodontais mais relacionados à imunodepressão causada pelo HIV são o eritema gengival linear e a periodontite necrosante, ambos de diagnóstico clínico. O eritema gengival linear é caracterizado por uma mancha ou halo avermelhado que se restringe a gengiva marginal e que não apresenta sinais de inflamação ou associação com a presença de placa bacteriana. A periodontite necrosante é uma doença periodontal de rápida progressão e de difícil manejo, cuja principal característica é a necrose dos tecidos periodontais (tanto o periodonto de inserção quanto o de sustentação), com a presença de exsudato purulento e sintomatologia dolorosa importante. As manifestações gengivais e periodontais, como o eritema gengival linear e a periodontite necrosante, não possuem etiologia bem definida, mas a grande maioria dos trabalhos publicados evidencia que o perfil microbiológico é similar ao de paciente HIV negativos imunocompetentes portadores de periodontopatias, ainda que quantitativamente diferente. As patologias periodontais no indivíduo imunodeprimido pelo HIV tendem a ser mais agressivos do que na população soronegativa, sendo que a freqüência de sua expressão clínica está relacionada ao aumento da imunodepressão.

 

As duas neoplasias malígnas mais freqüentes em pacientes imunodeprimidos pelo HIV, também incluem os herpesvírus em sua etiologia. O sarcoma de Kaposi, que representa a neoplasia malígna de maior incidência e cuja ocorrência é condição indicadora de Aids, teve sua etiologia associada a um novo vírus, o HHV-8 (human herpesvírus 8).

 

Outras infecções, comuns como o condiloma acuminado, a histoplasmose, a criptococose, a paracoccidioidomicose, a tuberculose, e a sífilis, são muito freqüentes. Com o início da terapia antirretroviral altamente potente (HAART) muitos pesquisadores verificaram a redução acentuada na ocorrência de infecções oportunistas. A prevalência das manifestações bucais também sofreu um decréscimo significativo com o advento da HAART.

 

O cirurgião dentista tem um papel importante no diagnóstico das manifestações oportunistas, no estadiamento clínico do paciente e no diagnóstico da infecção pelo HIV. Mas muitos pacientes ainda desconhecem essa importância, assim como, desconhecem a necessidade de retornar periodicamente ao consultório dentário e noções básicas sobre saúde bucal.

 

 
Prof. Dr. Elcio Magdalena Giovani elciomg@uol.com.br
Prof. Titular da Disciplina de Clínica Integrada, da Disciplina de Pacientes com Necessidades Especiais, Coordenador do Centro de Estudos e Atendimento a Pacientes Especiais (CEAPE – UNIP) e do Programa de Mestrado em Odontologia – Área de Concentração em Diagnóstico Bucal, da Universidade Paulista - UNIP – Campus Indianópolis de São Paulo – SP 
 
 
 
  

 

Crédito: Prof. Dr. Elcio Magdalena Giovani

Agradeço ao Prof.Dr. Elcio, a autorização para a publicação do seu Artigo no OdontoGeral

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